Educador é quem tem projeto
Uma história, tem valores
Ele obedece a este decreto
Comum a todos os lutadores
Mesmo sem reconhecimento
Atuando em local precário
Na massa se torna fermento
Tem força de um operário
Educar debaixo de sol forte
Em casebres, com chuva e frio
Parece questão de vida ou morte
Ir adiante nesse desafio
Instrui, educa, orienta,
Dialoga e dá afeto
Dia após dia alimenta
Esse obrar assim repleto
È como se fosse escultor
Modelando bloco de argila
Com um sopro de criador
E o sinal da vida cintila
Quase anônimo e generoso
Sua simples presença irradia
Esse sentimento grandioso
Que chamamos empatia
Diálogo sempre possível
Doses de paz e ciência
Aquele coração sensível
De infinita abrangência
O entusiamo quase febril
Não deixa nunca apagar
Devoção pela alma infantil
E a eterna paixão de formar
Passar esse bem querer
É bem fazer pedagogia
Ver o educando crescer?
Acordes de sinfonia!
Bom senso e boa indignação
Alterna inquietude e calma
Orientar tem contra indicação
Se o que falta é alma
Na escola, os cuidadores;
Há que fazer justiça
Quando se fala de orientadores
Nenhuma voz seja omissa
São pedagógicos esses olhares
Que me vem de antigo ofício
Nesses já tão longos pensares
desse belo e justo exercício
Ayub, Naima kepes.
Frente e verso: Toda educação
Porto Alegre: Evangraf, 2006. 100p.
Retirado do site da AOERGS